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domingo, 21 de agosto de 2011

Nuvem Negra - Kelly Elizeu


Nuvem Negra


Eu sempre tropeço nesse meu retrocesso procurando você.

Te encontro nas flores, no vento, no mar e na chuva,

no aroma, nas cores e sabores, em cada esquina, em cada curva.

Mas se te encontro não me acho,

porque somos o real e o imaginário,

o absoluto e o abstrato.

Você é apenas uma imagem que captei e guardei num retrato

que de colorido só tem o céu.

Fotografia de má qualidade que está se apagando e

em breve só restará o papel.

Você é nuvem negra que choveu em mim.

Tempestade que não passa.

Esperança que acaba, sentimento ruim.

Arrependimento molhado que transborda,

entorna e escorre pelo chão.

Tudo por causa dessa sua maldita mania

de despedaçar meu coração.


Por Kelly Elizeu

http://www.facebook.com/profile.php?id=100000293959585

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Milena Paixão...

porque você é esse transbordamento
de coragem, de amor
essa aragem, prenúncio
esse clamor
de vontades abertas
ofertas
liquidação de coisas boas
dessas que a gente acha e não acredita
remexe araras, prateleiras,
pronto: precisa.
peço pra embrulhar esses olhos claros
esse desejo perene de alturas
nossas tantas reconhecências
levo tudo na concha das mãos.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

"Poeminha Amoroso"

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo...

Cora Coralina

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Samba de roda.



Tristeza não cabe aqui.
Nesse samba de roda, só alegria, coisa simples e vida de gente que mesmo sem ter motivo está feliz.

É assim que Roberta Sá e o Trio Madeira Brasil homenagearam Roque Ferreira no CD Quando o Canto é Reza.
Musicalidade simples e de classe nos instrumentos de corda e percussão.

Roque Ferreira é um marco no samba. Suas canções podem ser encontradas na voz de Maria Bethânia, Clara Nunes, Zeca Pagodinho, Dudu Nobre, Alcione entre outros nomes da nossa música popular brasileira.



Nascido no Recôncavo Baiano, faz questão de colocar em cada música a essência de suas origens.
Inspirado em filósofos como Nietzsche e Schopenhauer ele escreve sobre as tristezas que já viveu, tem vários livros publicados.

A importância da literatura de Roque na Bahia é tão importante quanto Guimarães Rosa foi para Minas. Além de resgatar as origens do Recôncavo ele exalta sempre a beleza da cultura do lugar.

Em 2004 lançou o CD Tem Samba no Mar, que é uma maravilha, gostoso de ouvir e em todo momento a sensação é de ser transportado para a rotina do Recôncavo.

Para ouvir: Roberta Sá e Trio Madeira Brasil "Quando o Canto é Reza"
10- Xiré

Para ter sempre na playlist: Roque Ferreira "Tem Samba no Mar"


Beijo grande minha gente!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

...

“O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e fria,
Aperta e daí afrouxa,
Sossega e depois desinquieta
O que ela quer da gente é coragem”

João Guimarães Rosa

terça-feira, 20 de julho de 2010

Cultive...



Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem,
os amigos devem ser amigos para sempre,
mesmo que não tenham nada em comum,
somente compartilhar as mesmas recordações.
Pois boas lembranças,
são marcantes, e o que é marcante nunca se esquece!
Uma grande amizade mesmo com o passar do tempo é cultivada assim!
Vinicius de Moraes








sexta-feira, 16 de julho de 2010

Aniversário II

Desejo a você…
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Crônica de Rubem Braga
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Uma tarde amena
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.
(Carlos Drummond de Andrade)

Gente, que lindo isso! ganhar parabéns por poesia!... Brigada Karolzinha!

=)

Aniversário


ANIVERSÁRIO

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,
com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado---,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Álvaro de Campos, 15-10-1929


Para marcar meu aniversário, recebi hoje, esse poesia/história de uma pessoa muito querida!

Adorei Villinevy! Obrigada!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Música: Força e Influência...


Como a música exerce uma influência sobre nós.
Não podemos questionar, que nas décadas de 40 a 80, nosso cenário político foi marcado por tristes momentos. E o papel da música, em alguns casos, foi o estupim da esperança para muitas pessoas. No Brasil, durante a ditadura, as pessoas se apegavam aos eventos musicais, festivais, e tinham as canções como hinos de vitória, momentos de fazer ouvida a voz daqueles que não tinham como falar.

Hoje eu acordei com a música Todos estão surdos, composta por Erasmo Carlos e Roberto Carlos em 1971. Não que eles fossem os libertários das massas na época, mas essa música tem uma letra muito forte e que para muitos, foi a filosofia de vida durante muito tempo. Meu avô mesmo, até hoje tem essa ideologia na cabeça por causa dessa música.

Mas, quantas e quantas músicas não serviram para levar força e esperança de dias melhores na nossa história?

Eu sinto falta dessa força no cenário musical atual. Temos muito nomes bons, gente boa, mas as músicas que arrebatam multidões para dar esperança ou motivar as pessoas... Estão perdidas ou sei lá, não ganham esse sopro de vida.

Então, minha dica de hoje para download é: Todos estão surdos - Roberto Carlos



Vou mandar um salve para a galera que tem visitado o blog, a força do Caetano Monteiro, Tózin, Gustavo Ribeiro e Flávio Borgneth. Obrigada povo!

+)



segunda-feira, 5 de julho de 2010

O Amor Não Existe...


Não acredito que o amor exista, vou lhe explicar porque.

O amor é um sentimento puro, limpo, branco, sem marca ou ganância. Acredito que ele só se manifeste no momento em que somos concebidos, crianças doces e delicadas, que merecem carinho e atenção. Mas quando crescemos, vamos aprendendo o que realmente é a vida e somos corrompidos ou manchados e o amor já não se manifesta mais.

O amor é um sentimento divino, nós por acaso, somos alguma espécie de santidade para o fazê-lo manifestar? Não.

Acredito que exista companheirismo, amizade, desejo, carne, atração, ódio, viver bem, segurança, paixão, tesão, sexo, vontade de estar perto, identificação, compaixão, mas amor... amor não!

O amor que aprendemos vendo TV, lendo histórias, contos, poemas ou em imagens publicitárias é um amor corrompido por alguma coisa. Pelo sonho alheio, não idealizado por nós, experiência de outros. Outra pessoa já decidiu por nós.

Quando começamos uma relação do zero (seja afetiva ou o que for) idealizamos coisas que nunca serão cumpridas. Imaginamos o príncipe no cavalo branco, mas quando o marco sai do zero, começa a se mover, percebemos que as coisas não são bem assim e o cavalo de branco, começa a ficar cinzento.

Não sou fria e calculista, sou realista. Encontramos alguém ou algo, nos apaixonamos, sentimentos incontroláveis tomam posse de nós e já não dominamos a nós mesmos. Mas... quanto a amar, amor... Esse não nos compete sentir.
Tay Barreto