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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Meu amor, venha correndo
nosso amor está morrendo.
Mas venha bem depressa,
pois a solidão não me interessa.
Vamos, segure a minha mão
que é pra ver se acalma
as batidas do meu coração.
Mergulhe fundo, de cabeça e perceba
que o amor sempre vence no final,
não importa o que aconteça.
 
Por Kelly Elizeu

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Estava nua a um passo do chuveiro. A água caía no chão e respingava em suas pernas. "Não, não vou mais tomar banho", pensou ela. Tomou a decisão. Fechou o registro e vestiu a roupa. A mesma que vestia quando o viu pela última vez. Tinha uma única certeza: não sobreviveria à sua ausência.


Sentada no chão da sala, revivia cada maravilhoso momento passado com ele. Fazia isso sem nenhuma pressa e cada instante desses era como uma vida inteira. O importante não era a ordem dos acontecimentos, mas as sensações experimentadas. Era tudo tão perfeito, tão intenso, tão real, que seu corpo arrepiava todo e em cada fibra do seu ser ela tinha a impressão de que, se estendesse a mão, poderia tocá-lo novamente.

Sem se dar conta do que se passava, perdida em seus devaneios, lutava contra o fato de que isso jamais voltaria a acontecer. Não nessa vida, mas quem sabe em outra.

As horas passavam impiedosamente no relógio pendurado na parede da sala. Mas ela não via, não havia tempo pra isso. Estava acordada e, ainda assim, não percebia a realidade. Dentro dela não caberiam outras coisas, a não ser as lembranças de um amor sem igual.

"Não quero que esse momento acabe..." repetia isso como um mantra.

Nem fome, nem sede, nem sono, somente a saudade. Ninguém sabe ao certo quanto tempo ela ficou ali. Há quem diga que tudo isso durou apenas o tempo de um último suspiro.
 
Por Kelly Elizeu
*(esse texto não aceitou que a autora o intitulasse)
 
 
Um ótimo Café, um 2012 cheio de dicas e encontros nossos por aqui.
Um beijo!
Feliz Ano Novo

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Veredicto



Se me perco em seu olhar
E sua voz me desencaminha,
Veja bem, a culpa não é minha.

Se sonho acordada e só penso
Em me mudar pra sua rua,
Não duvides, a culpa é toda sua.

E se choro de noite porque não
Estás do meu lado, sinto muito,
Você é o único culpado.

Se acreditei nas mentiras,
Mas faria tudo novamente, é porque
Sou mesmo muito inocente.



Por Kelly Elizeu


Bom dia e ótimo café.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Se Afrodite pudesse enganar Cronos


De que lembranças vou viver
enquanto estiver sem você?
Em quais sonhos posso me agarrar
enquanto eu não puder te abraçar?
Porque tudo que faço, tudo que vejo
só me faz pensar na falta 
que sinto dos seus beijos.
Na vontade de sentir novamente
meu coração descompassado
o seu corpo quente
meu cabelo desarrumado
a respiração ofegante
e só pensar na gente.
Ah quem me dera
todo dia perder a hora..
Transformar em século cada instante
Fazer o ontem virar agora
E dizer pra tristeza que 
ela não é bem vinda.
Ter como meta a felicidade constante
pra nunca mais ter que pedir:
“Por favor, não vá ainda...”

Por Kelly Elizeu.

Bom Café

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Um príncipe quase encantado


Quero um amor de conto de fadas,
um príncipe encantado
com cavalo e espada.
Quero um amor sem porque nem talvez.
Que seja um eterno "Era uma vez..."
Mas que me deixe sozinha de vez em quando
e que ao regressar enxugue meu pranto.
Quero um amor sem começo nem fim
que satisfaça minhas vontades,
mas que nem sempre diga sim.
Que somente em seus olhos eu veja a verdade
e que morda meus lábios
só por crueldade.
Quero um amor que me leve pra cama
e durma comigo
mesmo sem dizer que me ama.
Quero um amor com o beijo mais doce
e o abraço mais quente,
que mesmo perdendo a memória
ainda se lembre da gente.



Por Kelly Elizeu


Bom Café!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Entrelinhas



Nas linhas as palavras.
Nas entrelinhas o silêncio daquilo que não precisa ser dito ou escrito.
O que escrevo está nas linhas,
mas eu, eu estou nas entrelinhas.
Para entender as palavras não precisa ser gênio,
sábio ou um mestre revolucionário,
basta ter em mãos um dicionário.
Já as entrelinhas a gente entende no olhar,   
no sorriso, no gesto, no ar.
Brincar com as palavras é lindo,
porque posso ser o belo e o feio,
a vida e a morte, o amor e a solidão,
o alegre e o trágico, mas para brincar
com o pensamento não existem palavras: é mágico!

Por Kelly Elizeu.



Dica de música:  
http://www.youtube.com/watch?v=5VZLC8YFmj8

Bom Café.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Um pouco fresca, talvez.


  Quando eu nasci, o meu anjo da guarda professou a seguinte frase: Ela será fresca!
Só pode ter sido isso que aconteceu. Se bem que não sou fresca ao extremo, pois muitas coisas eu tolero bem. E foi usando esse meu lado “não fresco” e a minha enorme curiosidade que eu, minha irmã e algumas amigas marcamos de ir a um restaurante de comida japonesa. Tava na cara que isso não ia dar certo, mas é sempre tão bonito ver, na televisão, as pessoas indo aos restaurantes
japoneses e comendo de rachi!   

  No dia combinado, ao chegarmos lá, eu logo pensei: “Hum... Isso aqui tem cheiro de peixaria extremamente limpa...” O ambiente é bem interessante, com lustres, mesas, garçons a caráter e coisa e tal, mas o que me deixou realmente incomodada foi a luz, ou melhor: a falta dela. Aquilo lá tá mais pra penumbra. Fiquei bastante constrangida, pois o clima estava mais pra casalzinho apaixonado e nós estávamos desacompanhadas. Assim que o momento sem graça passou, eu fiquei foi com medo. O que será que essa falta de luz estava tentando esconder? Enquanto me livrava desse pensamento, nos acomodamos.

  O sushiman trouxe o cardápio e, quando olhei aquele monte de nomes, minha vontade foi de
perguntar: tem com legenda em português? Nossa sorte foi a minha experiente irmã mais nova, que morou por dois anos em São Paulo e visitou vários desses restaurantes. Pedido feito e uma ansiedade quase palpável.

  Uma coisa não dá pra negar: nem em fast food a comida fica pronta tão rápido. Também, eles não usam fogo... Entre fotos, conversas, risos e treinamento para aprendermos usar o rachi, levanto
os olhos e vejo o sushiman vindo com um barquinho na mão. Como assim? Nós vamos comer ou fazer uma oferenda pra Iemanjá? Barquinho na mesa e eu, no auge da minha habilidade de comer
com “pauzinhos” ­ adquirida em cinco minutos de treinamento intensivo, pego um rolinho de arroz colado, envolvido num troço verde e com um pedaço de “não sei o que” no meio, passo pelo doce e
cremoso molho shoyo e corajosamente o levo à boca. Não foi tão difícil de engolir, já que tomei um bom gole de coca­cola em seguida.

  Não deu tempo de o meu paladar definir o que sentiu, porque foi um momento muito rápido.
O pior desse momento foi olhar pros lados e ver como as pessoas comem isso com uma boca tão boa. Pra não perder o hábito, pensei: “Acho que sou um ET!”
Pra acabar de vez com essa má impressão, decidi comer o tão famoso sashimi, muito
conhecido também como peixe cru. Metida que sou, fui logo no salmão, o mais caro, o cor ­ de­ rosa. Só não sei por que escolhi esse; logo eu, que sempre odiei rosa. Deve ser porque não havia um peixe azul. Sem perder a pose, pego um generoso pedaço de peixe, molho no shoyo e levo à boca. Acho que nada do que eu disser/escrever daqui pra frente vai conseguir ser fiel àquilo que senti. Foi uma mistura de nojo, pânico, medo, desespero, vergonha e sei lá mais o quê. Só consigo imaginar uma maneira de explicar a sensação que tive. Sabe baiacu, aquele peixe que quando está em perigo vai inflando, inflando e finge de morto pra escapar? Pois é! Foi um desespero ter a certeza de que isso era o que estava acontecendo dentro da minha boca.

  O pânico aumentou a níveis inimagináveis quando percebi minha amiga tentando deixar esse momento humilhante da minha vida registrado nos vídeos do seu celular. É melhor mesmo que tenha
apenas registros de memória, e, se Deus quiser, daqui uns anos, a falta dela.
Não dava pra engolir o “baiacu gigante” que estava na minha boca! Num ato de pura sobrevivência, peguei um guardanapo e literalmente cuspi o danado. Alívio total! Tanto pra mim, quanto pro peixe. Tenho certeza de que foi o pior dia de nossas vidas. Minha vontade naquela hora era de chamar o sushiman e perguntar: “Já ouviu falar em picanha bem passada?”

  Agora já sei o que responder quando me convidarem para ir num restaurante japonês: “Não,
obrigada, prefiro um tratamento de canal.” Aproveito pra deixar registrada minha admiração por aqueles que gostam da culinária japonesa. Parabéns pela coragem e pelo estômago de avestruz! Porém, serei eternamente grata aos nossos antepassados, os homens das cavernas. A eles, toda minha gratidão e todo meu respeito. Penso em, futuramente, tatuar em mim a seguinte frase: “Obrigada, Senhor, pela descoberta do fogo!”

Por Kelly Elizeu

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Meliante


Meliante

"Você não sabe o que levei de sua mão. Só saberá quando lhe faltarem os versos reversos inversos escritos em contradição. Quando em plena prosa as palavras parecerem presas e não puder mais manter as portas abertas, os olhos fechados, as mãos postas, o sonho escondido debaixo da mesa. Quando todas as vezes que me vir lhe faltar o adeus.



Quando em pleno discurso erguer os dedos e perceber que deles só não levei os seus medos, porque dedos e medos já me bastam os meus. E se prestar um pouco de atenção perceberá tua sorte por eu não ter levado o toque da sua mão, apesar de tentar, discretamente, tirar da sua palma o eme e escrever com ele seu nome numa canção.



Você não sabe o que ficou em minha mão."


Por Kelly Elizeu

domingo, 21 de agosto de 2011

Nuvem Negra - Kelly Elizeu


Nuvem Negra


Eu sempre tropeço nesse meu retrocesso procurando você.

Te encontro nas flores, no vento, no mar e na chuva,

no aroma, nas cores e sabores, em cada esquina, em cada curva.

Mas se te encontro não me acho,

porque somos o real e o imaginário,

o absoluto e o abstrato.

Você é apenas uma imagem que captei e guardei num retrato

que de colorido só tem o céu.

Fotografia de má qualidade que está se apagando e

em breve só restará o papel.

Você é nuvem negra que choveu em mim.

Tempestade que não passa.

Esperança que acaba, sentimento ruim.

Arrependimento molhado que transborda,

entorna e escorre pelo chão.

Tudo por causa dessa sua maldita mania

de despedaçar meu coração.


Por Kelly Elizeu

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