quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Estava nua a um passo do chuveiro. A água caía no chão e respingava em suas pernas. "Não, não vou mais tomar banho", pensou ela. Tomou a decisão. Fechou o registro e vestiu a roupa. A mesma que vestia quando o viu pela última vez. Tinha uma única certeza: não sobreviveria à sua ausência.


Sentada no chão da sala, revivia cada maravilhoso momento passado com ele. Fazia isso sem nenhuma pressa e cada instante desses era como uma vida inteira. O importante não era a ordem dos acontecimentos, mas as sensações experimentadas. Era tudo tão perfeito, tão intenso, tão real, que seu corpo arrepiava todo e em cada fibra do seu ser ela tinha a impressão de que, se estendesse a mão, poderia tocá-lo novamente.

Sem se dar conta do que se passava, perdida em seus devaneios, lutava contra o fato de que isso jamais voltaria a acontecer. Não nessa vida, mas quem sabe em outra.

As horas passavam impiedosamente no relógio pendurado na parede da sala. Mas ela não via, não havia tempo pra isso. Estava acordada e, ainda assim, não percebia a realidade. Dentro dela não caberiam outras coisas, a não ser as lembranças de um amor sem igual.

"Não quero que esse momento acabe..." repetia isso como um mantra.

Nem fome, nem sede, nem sono, somente a saudade. Ninguém sabe ao certo quanto tempo ela ficou ali. Há quem diga que tudo isso durou apenas o tempo de um último suspiro.
 
Por Kelly Elizeu
*(esse texto não aceitou que a autora o intitulasse)
 
 
Um ótimo Café, um 2012 cheio de dicas e encontros nossos por aqui.
Um beijo!
Feliz Ano Novo

5 comentários:

  1. gostei do que está nas letras miúdas!

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  2. Aeee... Obrigado pelo café e principalmente pela prosa!!! Muito legal o texto!!
    Congrats!

    ;)

    Giu

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  3. Gosto tanto das coisas que você escreve. Aguardo sempre mais!

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  4. obrigada, Giu e Lemisson!
    o comentário de vocês me deixa muito feliz!

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  5. Nossa, EU fiquei feliz. Obrigada pelo carinho, em nome da, Kellyta!

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